Ex-líder do tráfico queria retomar controle da ‘boca de fumo’


Por João Melo / 5 de dezembro de 2017

O assassinato de Rafael Santos Silva, de 20 anos, e a tentativa de homicídio contra Alan dos Santos Santana, 32, ocorreram durante a investida de Artur Arlindo Barbosa Pacheco, 25, conhecido como  Arturzinho, para retomar o controle do tráfico de drogas no Alto de Ondina. Os crimes foram cometidos na noite do dia 1º de outubro.

É o que revelam as investigações desenvolvidas na 1º Delegacia de Homicídios (DH/Atlântico), do Departamento de Homicídios (DHPP). Artur, que afirmou fazer parte da Comissão da  Paz (CP), é o ‘Oito de Paus’ do Baralho do Crime da Secretaria da Segurança Pública.

Ele perdeu o controle da ‘boca de fumo’ na região ao ser preso por tráfico de drogas com Mateus da Silva Oliveira, 23, o Pirrita, e Ycaro Caldas Fonseca, o Fantasmão, que também participaram da invasão.

“Eles foram presos juntos e saíram da  prisão juntos, há dois meses. Mas não puderam  voltar ao Alto de Ondina porque a área tinha sido tomada pela facção rival [BDM]. Artur então foi para o Nordeste de Amaralina e se organizou para retomar o território e se vingar dos antigos parceiros, que passaram para a facção rival”, disse a delegada Simone Moutinho, da 1º Delegacia de Homicídios (DH/ Atlântico), do Departamento de Homicídios (DHPP).

Ycaro morreu quatro dias após a invasão durante uma troca de tiros com policiais militares do Garra, unidade do Esquadrão Águia, no Vale das Pedrinhas. Artur e Mateus foram presos na última sexta-feira, 1º, ao se apresentarem no DHPP. As prisões se deram em cumprimento a mandados de prisão temporária pela morte de Rafael e pela tentativa de assassinato contra Alan.

“Não se trata de uma apresentação espontânea, pois cumprimos mandados de busca e apreensão na casa dos criminosos, no Alto de Ondina”, ressaltou a delegada.

Segundo ela, apenas umas das vítimas da invasão tinha envolvimento com o tráfico de drogas. Mas não revelou qual.

Durante apresentação à imprensa na manhã desta segunda, 4, no DHPP, Artur e Mateus negaram a invasão ao Alto de Ondina. Eles alegaram que tudo se trata de uma armação dos rivais com policiais para incriminá-los.

“Desde o dia em que sai da prisão não vi minha família. Em nenhum momento estive em Ondina. Isso aí é armação deles.  Zóio e Charuto. Eles botaram nossas fotos no WhatsApp dizendo que a gente ia matar a população e a polícia”, afirmou Artur. “Zói, você vai ser cobrado. Você vai pagar”, ameaçou Artur.

Conforme a polícia, ele está envolvido na morte do médico Marcos Spínola Ramos, no Carnaval de 2013, e em um duplo homicídio, em Itinga, em Lauro de Freitas.