DEFICIENTES VISUAIS ENCONTRAM MAIS UM OBSTÁCULO PARA CAMINHAR PELO CENTRO


Por Alessandro / 10 de agosto de 2018

Faz parte da rotina de quem caminha pelo centro de Vitória da Conquista ter que desviar de algum vendedor ambulante. Eles estão por todas as partes. CEASA, alamedas, avenidas, terminal de ônibus e praças. São legumes, frutas e verduras da estação em grande oferta. Os locais preferidos pelos comerciantes são as alamedas Ramiro Santos, Lima Guerra, Adriano Bernardes e a Avenida Lauro de Freitas. São tantos carrinhos espalhados, que mais parece uma feira livre gigante.

Um caso que vem incomodando muitas pessoas e já virou alvo de denúncias é o fato dos vendedores ambulantes ocuparem espaços nas calçadas e alamedas, em cima do piso tátil, impedindo, principalmente, que as pessoas deficientes visuais possam circular livremente pelo centro da cidade.

Ivan Campos é deficiente visual e relatou sua rotina pelas ruas da cidade. “Ser deficiente visual é uma condição permanente em minha vida, e eu tive que aprender a andar sozinho. É uma liberdade que gosto de ter. Mas andar no centro de Conquista é uma aventura, e às vezes esbarro em pessoas, objetos e já esbarrei também em um carrinho de ambulantes. Não cheguei a me machucar, mas é um perigo que a gente corre. Já denunciei, meus amigos e familiares também, mas não resolve muito. Isso prejudica a gente”.

O artigo 5º da Constituição Federal estabelece o direito de ir e vir de todos os cidadãos brasileiros, ou seja, qualquer pessoa (inclusive com deficiência ou mobilidade reduzida) deve ter o direito de chegar confortavelmente a qualquer lugar. É proibido impedir ou atrapalhar, por qualquer meio, o livre trânsito de pedestres nas calçadas públicas.

Essa realidade, que tem feito parte das ruas centrais de Vitória da Conquista, está chamando a atenção até mesmo de quem não tem problemas visuais. “Eu não tenho nenhum tipo de deficiência, mas me incomoda ver que os ambulantes passam o dia inteiro no meio das calçadas e das alamedas, atrapalhando a passagem. Trabalho no centro e costumo ver pessoas cegas terem dificuldades para caminhar por conta desse problema. Ajudo sempre que posso, mas nem sempre consigo sair da loja”, diz o vendedor João Victor Santos.

O trabalho de fiscalização de calçadas em Conquista é feito pela Secretaria de Serviços Públicos. De acordo com a assessoria da prefeitura, é um trabalho contínuo que visa garantir aos pedestres e às pessoas com dificuldades de locomoção as condições necessárias para transitar na cidade. “Os pisos táteis são equipamentos obrigatórios para proteção e livre circulação de deficientes visuais e não podem ser obstruídos. Sendo assim, a Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria de Serviços Públicos, realiza fiscalização constante, visando deixar toda a calçada sem qualquer impedimento para a livre circulação de todos os pedestres, inclusive os deficientes visuais. O uso das calçadas para comércio ambulante ou de qualquer outra modalidade é irregular e este tipo de distorção é fiscalizado e coibido pela Secretaria de Serviços Públicos. Recentemente, a Prefeitura realizou operações de fiscalização com o propósito de eliminar das ruas, e principalmente das calçadas, os carrinhos de frutas e outros ambulantes”, declarou a prefeitura de Vitória da Conquista por meio de nota ao nosso jornal.

É preciso que a prefeitura intervenha de forma mais ativa, evitando que a situação piore, para que ninguém corra o risco de se machucar. E a população também pode e deve ajudar na fiscalização. A segurança e a liberdade dos deficientes visuais precisam ser garantidas.

Fonte: Jornal A Semana