22 de setembro: uma reflexão sobre a servidão ao carro


Por Alessandro / 22 de setembro de 2018

Ivan Cordeiro – Secretário Municipal de Mobilidade Urbana

O mundo está se urbanizando numa velocidade jamais vista na história da humanidade. Pela primeira vez, por exemplo, a população urbana é maior que a rural, com 53% das pessoas morando em cidades. As informações estão no relatório “Perspectivas Globais de Urbanização” que a Organização das Nações Unidas elaborou em 2014.

Atualmente são 4 bilhões de pessoas residindo em áreas urbanas. A tendência, segundo mostra o relatório, é que este número suba para 7 bilhões em 2050. Significa que 70% da população mundial será citadina. Nem é preciso ser arquiteto ou urbanista para saber o que esta alteração vai provocar em toda a humanidade e que as soluções estão presentes.

Daí a importância do Dia Mundial Sem Carro, celebrado neste sábado, dia 22 de setembro, data internacional cujo objetivo é estimular uma reflexão sobre como as pessoas têm feito uso excessivo do automóvel, criando verdadeiros escravos de algo criado justamente para nos libertar. Como afirma Jeff Speck, em sua excelente obra Cidade Caminhável, “o carro é um instrumento de liberdade que nos escravizou”.

Com a superubanização, cresce a responsabilidade de todos os governos, em todas as esferas, de pensar soluções de mobilidade, já que cidade nenhuma comporta um carro por pessoa. “A cidade tem obrigação de libertar seus residentes do peso da dependência do automóvel. Quando uma cidade o faz, todos se beneficiam, inclusive a própria cidade”, lembra Jeff Speck, em obra que merece a leitura de todos.

Conscientizar a sociedade sobre soluções alternativas de mobilidade urbana é, portanto, um desafio contemporâneo urgente. Aos governos é preciso compromisso com as futuras gerações e construir vias, como a recém inaugurada José Pedral Sampaio, que tem ambiente para o trânsito do veículo mas também garante segurança a ciclistas e pedestres, inclusive servindo a crianças e idosos, que devem ter o mesmo direito à cidade.

O governo está recuperando grande parte da Olívia Flores, trecho que ganhará ciclovia, permitindo que mais pessoas usem a bicicleta como transporte de casa para o trabalho e para atividades diárias. Assim, o meio ambiente agradece a redução da poluição e o sistema de saúde fatalmente terá menos patologias a tratar, especialmente aquelas ligadas à depressão e obesidade. Mas muito é preciso ser feito além da obra física.

O Dia Mundial Sem Carro faz parte deste trabalho de conscientização sobre a importância de se livrar ao máximo do carro e apostar cada vez mais em outras formas de locomoção. É uma tarefa de todos: dos governos, das universidades, das escolas, igrejas, associações, sindicatos. Enfim, de toda a sociedade. Relembrando que “a cidade tem obrigação de libertar seus residentes do peso da dependência do automóvel”.

Por: Ivan Cordeiro