Reportagem João Melo

Pedro conhece o mundo real da insegurança
Vitória da Conquista, a terceira em dimensão geográfica da Bahia, vive duas fases: A real, com alto índice de insegurança, saúde na UTI, educação patinando em infinitas dificuldades, racionamento de água, trânsito caótico, dentre outros problemas.
O outro lado da cidade é o incrível mundo dos sonhos, que pode levar os tolos a acreditar em qualquer promessa, trazendo à tona seus desejos mais íntimos. Com ricas propagandas, os ilusionistas transformam a cidade num mundo de fantasias.
Só fantasias mesmo: Tudo irreal; Aqui uma unidade de acolhimento ao menor infrator não existe. A Câmara voltou a debater este tema. Nos últimos dois anos, sessenta infratores morreram na cidade, por envolvimento com o tráfico de drogas.
Pedro Correia, comerciante assaltado várias vezes, disse que a cidade está se transformando num inferno e que a família que trabalha sofre muito com a ação de viciados. “A polícia encontra dezenas deles, sabem que são perigosos, mas vai levá-los para onde? Grande parcela de culpa cabe aos nossos representantes políticos que não exigem um lugar para trancafiar estas pessoas”, comentou.

Graziela: Triste com a mudança que a cidade sofreu
Reuniões para debater as demandas existem. Nestes encontros, o ingrediente mais forte atende pelo nome de promessa. Quando a cidade terá a unidade de acolhimento? Quando o Restaurante Popular vai funcionar? Quando entrará em operação a fábrica de medicamentos? Quando o cadeião será construído? Quando o IML será reformado?
O certo mesmo é que por falta de espaço nas delegacias, presídio superlotado, o consumo de drogas vem se transformando numa praga. Hoje, é comum, viciados serem flagrados usando crack no meio da rua, em plena luz do dia. Aldo Oliveira, 43 anos, foi esfaqueado, no bairro Vila América, durante assalto praticado por um drogado. Identificado e agarrado pela própria vítima, o menor foi entregue aos pais, que não sabiam o que fazer, diante do fato. Fazer o que? Não temos onde deixar os infratores…
Em todos os bairros, sem exagero, as cenas de jovens drogados são comuns. Sob o efeito das drogas, a juventude se divide em gangues e trava duelos que quase sempre terminam em morte. Irresponsavelmente e de maneira leviana, algumas pessoas que dizem nos representar, falam que a nossa segurança está boa. Não está não. Se você não foi assaltado, existe alguém na sua casa, ou um parente seu já foi assaltado.
Como prova da afronta, um adolescente de 12 anos, quase todos os dias, fica em determinado bairro da cidade, esperando um ônibus passar, para cometer assalto, munido com uma faca. A polícia o detém. Mas onde poderia deixá-lo? O consumo da droga aumenta. A venda do crack cresce a cada dia.
Moradora do bairro Brasil há 30 anos, Graziela Moreira, que nasceu em São Paulo, diz que adora o clima e o povo conquistense, mas diz que a violência está deixando-a desiludida. ”" Quando vir morar na cidade, imaginei ter adquirido o passaporte para o paraíso, mas estabeleci comércio e fui assaltada pelo menos 5 vezes”, declarou.